sábado, 8 de outubro de 2011

Relato biográfico de Luzia Rocha

Luzia Rocha - D. luzia, carinhosamente falando. Senhora de ação social inconfundível, sempre labutou pelo nosso povo. Uma gicante a frente de nossa educação. Desbravou livretos e rompeu barreiras para a formação educacionale religiosa da nossa gente. Comunicativa e participativa, foi pioneira na nossa educação ao lado de tantos outros. Incansável quando se fala de educação, figura imponente quando ensinava nos alpendres de nossas casas e embaixo de nossas árvores. Recpcionou a escola radiofônica pelo MEB (Movimento de educação Básica). Fundou a farmácia popular e uma asscociação, símbolo incontestável pela luta da mulher capivarense; com certeza uma personagem muito crítica e valiosa para a nossa gente. Não podemos esquecer a sua força missionária dentro da nossa comunidade. Não podendo com minúncias transformar essa biografia em tudo de sua vida, deixo claro que as informações acima citadas, são resultado de uma pesquisa, de um estudo laborioso sobre a vida da mesma.
(estas palavras foram escritas por um jovem pastor da comunidade de Capivara que, infelizmente, no relato verídico de uma história de luta, humildemente, não assinou seu nome e, por isso, não pude citá-lo como autor da mesma). Fica no anonimato, o agradecimento sincero das sábias palavras ao jovem pastor. Que Deus o ilumine, lhe dê muitos anos de vida, força e coragem na condução do rebanho. E a senhora Luzia, eu e com certeza a comunidade de Capivara, agradece a Deus por sua existência.

terça-feira, 28 de junho de 2011

História de Capivara

Capivara - Aracoiaba
Capivara é uma comunidade composta de 103 famílias com 615 pessoas. A grande maioria não possui terra. aqueles que possuem, só tem o lugar da casa e são obrigados a trabalhar em outras terras. todas estas pessoas trabalhavam nas terras do senhor Francisco Vidal que mora em Fortaleza. Havia um gerente que era responsável pelas terras. O povo plantava e pagava de "meia" sem haver grandes problemas. Em 1972, essas terras foram vendidas a um senhor de Fortaleza, "Elias Carrar". Este só foi a Capivara duas vezes: a primeira para comunicar a todo o pessoal que morava nas terrar que tinham que se retirar imediatamente. O pessoal reagiu dizendo que não tinha para onde ir e que por isso se retirar. Algumas casas foram idenizadas no valor de CR$ 100,00 (cem cruzeiros) cada. Dava os CR$ 100,00 e imediatamente mandava derruba a casa. Assim aconteceu com muita gente. 

Foi um outro senhor para tomar conta das terras por nome de José Erasmo. Mandou o pessoal trabalhar que ele pagaria por diária. Os agricultores trabalharam vários dias e nunca receberam nada. O senhor Elias Carrar indo pela segunda vez a Capivara, o pessoal aproveitou a oportunidade e falou com ele, para saber até quando ia trabalhar de graça. Ele respondeu o seguinte: "Não! O dinheiro de vocês já mandei há muitos dias pelo outro gerente". Os agricultores responderam: "Ou o senhor nos paga, ou nós tomaremos uma atitude com o senhor". Ele resolveu dar dinheiro. Somente uma parte do dinheiro do trabalho feito pelos agricultores, mas não pagou todo. Essa foi a última vez que ele foi a Capivara. "Tudo indica que ele tem medo de enfrentar o povo de cara a cara."

Em 1973 foram derrubadas mais 20 casas por um senhor chamado Medonça, dizendo ele que aquelas terras também eram dele. Nesta época o gerente chamado Erasmo saiu, entrando outro também de Fortaleza por nome de Manuel Pinto. Esse queria receber a renda antes dos agricultores plantarem. Alguns ainda pagaram. Mas a grande maioria não. Os agricultores diziam que só pagariam a renda ao dono da terra, caso ele fosse lá. 

Janeiro de 1976 - Foram três advogados do INCRA à Capivara. Fizeram reunião com os agricultores e colocaram o seguinte: enquanto não fosse resolvida a situação daquelas terras o pessoal podia plantar, pois a mesma estava sob responsabilidade do INCRA, o que a partir daquele momento o senhor gerente Manuel Pinto não teria nenhum poder sobre aquelas terras. 

Março de 1976 - Por conta do trabalho que se desenvolve nesta comunidade, e considerando as necessidades do povo, eles deixaram a fazer uma roça comunitária nestas terras, uma vez que os advogados do INCRA haviam autorizados a trabalharem. Então iniciaram o trabalho da roça comunitária com a participação de 45 famílias. Manuel Pinto que ainda se diz gerente (mesmo o INCRA tendo falado para a comunidade que ele não teria nenhuma autoridade ssobre a terra), quis impedir que se fizesse a roça comunitária. 

Resolveram então fazer uma reunião com toda a comunidade e com o senhor Manuel Pinto para decidirem se iriam ou não continuar com o trabalho da roça comunitária. Nesta reunião se fizeram presentes mais de 50 pessoas. Foi esclarecido para todos o problema que estava acontecendo, e se perguntou qual seria a solução. todos responderam ao mesmo tempo: "nós continuaremos com a roça comunitária porque ela é nossa e vai resolver muitos problemas de nossa famílias." E assim ficou decidido que o trabalho da roça comunitária continuaria. O senhor Manuel Pinto colocou ainda na reunião que o pessoal deveria pagar de "meia" para ele. As pessoas responderam que iriam pensar. 

Vale salientar que o pessoal sempre está recebendo ameaças. Muitas casas foram cercadas com vários fios de arame. O pessoal fica sem saber quem realmente manda fazer este tipo de ameaça. O pessoal de Capivara não tem nenhuma segurança em relação à terra. Não sabe até quando vai poder plantar. Vêem o futuro com muitas perséctivas como também em relação ao futuros de toda família, uma vez que eles dependem da terra para continuarem vivos.