Capivara é uma comunidade composta de 103 famílias com 615 pessoas. A grande maioria não possui terra. aqueles que possuem, só tem o lugar da casa e são obrigados a trabalhar em outras terras. todas estas pessoas trabalhavam nas terras do senhor Francisco Vidal que mora em Fortaleza. Havia um gerente que era responsável pelas terras. O povo plantava e pagava de "meia" sem haver grandes problemas. Em 1972, essas terras foram vendidas a um senhor de Fortaleza, "Elias Carrar". Este só foi a Capivara duas vezes: a primeira para comunicar a todo o pessoal que morava nas terrar que tinham que se retirar imediatamente. O pessoal reagiu dizendo que não tinha para onde ir e que por isso se retirar. Algumas casas foram idenizadas no valor de CR$ 100,00 (cem cruzeiros) cada. Dava os CR$ 100,00 e imediatamente mandava derruba a casa. Assim aconteceu com muita gente.
Foi um outro senhor para tomar conta das terras por nome de José Erasmo. Mandou o pessoal trabalhar que ele pagaria por diária. Os agricultores trabalharam vários dias e nunca receberam nada. O senhor Elias Carrar indo pela segunda vez a Capivara, o pessoal aproveitou a oportunidade e falou com ele, para saber até quando ia trabalhar de graça. Ele respondeu o seguinte: "Não! O dinheiro de vocês já mandei há muitos dias pelo outro gerente". Os agricultores responderam: "Ou o senhor nos paga, ou nós tomaremos uma atitude com o senhor". Ele resolveu dar dinheiro. Somente uma parte do dinheiro do trabalho feito pelos agricultores, mas não pagou todo. Essa foi a última vez que ele foi a Capivara. "Tudo indica que ele tem medo de enfrentar o povo de cara a cara."
Em 1973 foram derrubadas mais 20 casas por um senhor chamado Medonça, dizendo ele que aquelas terras também eram dele. Nesta época o gerente chamado Erasmo saiu, entrando outro também de Fortaleza por nome de Manuel Pinto. Esse queria receber a renda antes dos agricultores plantarem. Alguns ainda pagaram. Mas a grande maioria não. Os agricultores diziam que só pagariam a renda ao dono da terra, caso ele fosse lá.
Janeiro de 1976 - Foram três advogados do INCRA à Capivara. Fizeram reunião com os agricultores e colocaram o seguinte: enquanto não fosse resolvida a situação daquelas terras o pessoal podia plantar, pois a mesma estava sob responsabilidade do INCRA, o que a partir daquele momento o senhor gerente Manuel Pinto não teria nenhum poder sobre aquelas terras.
Março de 1976 - Por conta do trabalho que se desenvolve nesta comunidade, e considerando as necessidades do povo, eles deixaram a fazer uma roça comunitária nestas terras, uma vez que os advogados do INCRA haviam autorizados a trabalharem. Então iniciaram o trabalho da roça comunitária com a participação de 45 famílias. Manuel Pinto que ainda se diz gerente (mesmo o INCRA tendo falado para a comunidade que ele não teria nenhuma autoridade ssobre a terra), quis impedir que se fizesse a roça comunitária.
Resolveram então fazer uma reunião com toda a comunidade e com o senhor Manuel Pinto para decidirem se iriam ou não continuar com o trabalho da roça comunitária. Nesta reunião se fizeram presentes mais de 50 pessoas. Foi esclarecido para todos o problema que estava acontecendo, e se perguntou qual seria a solução. todos responderam ao mesmo tempo: "nós continuaremos com a roça comunitária porque ela é nossa e vai resolver muitos problemas de nossa famílias." E assim ficou decidido que o trabalho da roça comunitária continuaria. O senhor Manuel Pinto colocou ainda na reunião que o pessoal deveria pagar de "meia" para ele. As pessoas responderam que iriam pensar.
Vale salientar que o pessoal sempre está recebendo ameaças. Muitas casas foram cercadas com vários fios de arame. O pessoal fica sem saber quem realmente manda fazer este tipo de ameaça. O pessoal de Capivara não tem nenhuma segurança em relação à terra. Não sabe até quando vai poder plantar. Vêem o futuro com muitas perséctivas como também em relação ao futuros de toda família, uma vez que eles dependem da terra para continuarem vivos.